ENH DEFENDE INFRA-ESTRUTURA DE GÁS COMO PRIORIDADE PARA INDUSTRIALIZAÇÃO

O Presidente do Conselho de Administração (PCA) da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), Rudêncio Morais, defendeu esta quarta-feira, durante a Mozambique CEO Summit, que a criação de infra-estruturas para recepção, transporte e distribuição do gás natural proveniente dos projectos da Bacia do Rovuma constitui o principal desafio para transformar o potencial energético de Moçambique em desenvolvimento económico e industrial.

Intervindo no painel “Gás Natural e Industrialização: Transformar Recursos Energéticos em Competitividade Económica para África”, o PCA da ENH afirmou que o país dispõe de volumes significativos de gás natural destinados ao mercado interno, mas alertou que esses recursos só produzirão impacto caso existam infra-estruturas que garantam a sua tomada pela indústria. “Não se mede a capacidade de industrializar Moçambique com as reservas que nós temos, se não tivermos capacidade de ter acesso directo a esse gás. É aqui onde entra uma questão fundamental, que tem a ver com a infra-estrutura”, afirmou.

Morais explicou que o Plano Director do Gás estabelece a produção de energia, combustíveis, fertilizantes e metanol como prioridades para o aproveitamento do recurso, objectivos que dependem da disponibilidade efectiva de gás para o mercado doméstico.

O PCA destacou ainda que a ENH tem assumido um papel central na criação das condições para viabilizar esse processo, através da agregação do gás doméstico e da promoção de projectos estruturantes. “A ENH não só quer agregar moléculas, quer agregar capacidade, quer agregar desenvolvimento, quer agregar industrialização”, sublinhou.

Entre as iniciativas em curso, destacou o projecto da Unidade Flutuante de Armazenamento e Regaseificação (FSRU) em Inhambane, aprovado pelo Governo, bem como o desenvolvimento de sistemas de gasodutos para ligar as zonas de produção aos principais centros industriais e de consumo. Nesta senda, garantiu que estas infra-estruturas permitirão assegurar o aproveitamento do gás doméstico proveniente dos grandes projectos do Rovuma, criando as condições necessárias para o crescimento da indústria nacional.

O PCA da ENH defendeu igualmente que os futuros empreendimentos de gás integram, desde a fase de concepção, a capacidade necessária para a disponibilização dos 25 por cento de gás destinado ao mercado doméstico, evitando investimentos adicionais no futuro. “Quando fazemos desenho dos projectos, é preciso considerar 25 por cento de gás doméstico. O projecto já deve trazer esses elementos. É nisso que nós estamos a trabalhar como ENH”, afirmou.

Durante o debate sobre os desafios para transformar Moçambique num verdadeiro polo energético regional, Rudêncio Morais apelou ao reforço da cooperação entre reguladores, operadores, comunidades e pequenas e médias empresas, defendendo maior partilha de oportunidades para o desenvolvimento do conteúdo local.  “Se queremos ir longe, temos de ir acompanhados. É importante continuar a partilhar oportunidades e criar condições para que as empresas moçambicanas participem cada vez mais nesta indústria”, concluiu.

O painel reuniu ainda Carlos Yum, Director do Gabinete de Implementação do Projecto Hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa; António Munguambe, Administrador do Pelouro de Electrificação da Electricidade de Moçambique (EDM); NJ Ayuk, Presidente da African Energy Chamber; e Jorge Troper, Director Financeiro da Estratégica Engenharia, uma empresa brasileira. Os painelistas convergiram na necessidade de reforçar as infra-estruturas energéticas, promover maior coordenação entre os diferentes intervenientes e aprofundar a colaboração para acelerar a industrialização e consolidar Moçambique como um polo regional de energia.

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