A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) posicionou-se com confiança quanto ao futuro da indústria petrolífera em Moçambique, ao destacar o potencial de crescimento do sector e as oportunidades que se abrem para o país. A posição foi apresentada ontem, 08 de Junho, em Maputo, durante a Conferência Empresarial 2026 Moçambique – Itália, dedicada à promoção de parcerias para o desenvolvimento sustentável de infra-estruturas.
A Administradora do Pelouro de Pesquisa e Produção da ENH, Mevace Muhai, afirmou que o horizonte do sector se mantém encorajador, sustentado por um portfólio de projectos ainda por materializar. “A perspectiva da indústria de petróleo e gás é muito positiva, uma vez que há muitos projectos ainda por acontecer, o que poderá criar oportunidades para o governo e o sector privado, sobretudo no desenvolvimento de competências específicas do sector e do conteúdo local”, declarou.
A Administradora sublinhou que o país reúne condições para transformar o potencial energético em valor económico, com impacto directo na industrialização, na capacitação de empresas nacionais e na geração de emprego. A sua intervenção reforçou o papel da ENH como catalisador estratégico no desenvolvimento do sector energético.
O painel sobre infra-estruturas no sector energético reuniu igualmente representantes de instituições internacionais e empresas do sector. Marica Calabrese, da ENI, destacou o compromisso prático com o conteúdo local e a integração de mão de obra moçambicana nos projectos em curso. “Até à data já assinámos mais de 100 contratos com empresas moçambicanas. Isso é conteúdo local. Tenho dito que a plataforma flutuante é também uma escola, tem lá muitos moçambicanos a aprender”, afirmou.
Por sua vez, Rômulo Cunha Corrêa, do Banco Africano de Desenvolvimento, apontou a energia e a agricultura como eixos centrais da estratégia da instituição para Moçambique. “A nossa estratégia é transformar a agricultura moçambicana, porque 80 por cento dos moçambicanos trabalha na agricultura, mas também estamos a investir na energia. Cinquenta por cento das nossas acções estão viradas à energia”, explicou.
Já Manrico Fornasiero, da ANIE, defendeu a necessidade de priorizar o acesso à energia como base para o crescimento económico. “Um país emergente como Moçambique deve priorizar o acesso à energia”, referiu.
A conferência consolidou-se como uma plataforma de diálogo entre Moçambique e Itália, com enfoque na mobilização de investimento, partilha de conhecimento e fortalecimento de parcerias estratégicas. Neste contexto, a intervenção da ENH destacou-se ao reafirmar a confiança no sector petrolífero como motor de desenvolvimento e como pilar para a afirmação económica do país.