RETOMA DO PROJECTO MOZAMBIQUE LNG ABRE NOVA ERA DE ESPERANÇA E DESENVOLVIMENTO

O Governo de Moçambique e a multinacional francesa TotalEnergies anunciaram, na última quarta-feira (28), em Afungi, distrito de Palma, Cabo Delgado, a retoma total e efectiva das actividades do projecto Mozambique LNG, momento descrito como marco histórico para a economia nacional e para a estabilidade da região austral de África.

Suspenso desde 2021 devido à situação de insegurança na região, a decisão surge na sequência do levantamento, a 7 de Novembro de 2025, da cláusula de “força maior” pelo consórcio Mozambique LNG, após melhoria das condições de segurança na província.

O projecto, considerado o maior investimento privado em África, retoma as operações tanto em terra (onshore) como no mar (offshore), sinalizando o regresso da confiança dos investidores internacionais e a reactivação de um dos principais motores de crescimento da economia nacional.

Falando na cerimónia, o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, sublinhou que o projecto é um pilar fundamental para a criação de emprego, especialmente para a camada jovem. Com efeito, a fase da construção prevê a contratação de cerca de 17 mil trabalhadores, com prioridade para a mão-de-obra local.

“Actualmente, a planta conta com mais de cinco mil colaboradores, dos quais 80% são moçambicanos e mais de 40% naturais da província de Cabo Delgado”, indicou o Presidente.

Chapo referiu ainda que o projecto prevê a alocação de aproximadamente 2,5 mil milhões de dólares para a aquisição de bens e serviços a empresas nacionais, fortalecendo o conteúdo local e as pequenas e médias empresas. Ao longo do seu ciclo de vida, o Mozambique LNG deverá gerar receitas para o Estado estimadas em 35 mil milhões de dólares, provenientes de impostos e outros instrumentos fiscais.

Por sua vez, o Presidente Executivo da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, expressou satisfação com o reinício do projecto, enfatizando que a segurança é a prioridade absoluta tanto para os trabalhadores como para as comunidades vizinhas. “O período de força maior chegou ao fim!”, declarou, acrescentando que este projecto vai contribuir para a paz trazendo emprego para a região.

Pouyanné revelou que o processo de aquisição de equipamentos está na fase final, pelo que haverá aumento significativo das actividades em Afungi nos próximos meses. Quanto ao investimento social já realizado, deu como exemplos a formação de mais de 1500 técnicos em diversas áreas e a atribuição de 100 bolsas de estudo, reforçando que os benefícios chegam às populações “mesmo antes do gás”.

Pouyanné anunciou ainda a oferta de 200 milhões de meticais para apoiar as vítimas das cheias e inundações registadas recentemente no país.

Complementando a visão do impacto macroeconómico, o Ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, afirmou que a retoma do projecto consolida Moçambique como um actor relevante no mercado global de energia, sublinhando os ganhos do projecto no desenvolvimento de infra-estruturas e na integração de empresas nacionais na cadeia de valor energética.

O projecto Mozambique LNG é desenvolvido por um consórcio composto pela TotalEnergies EP Mozambique Area 1 (26,5%, operadora), Mitsui E&P Mozambique Area 1 (20%), ENH Rovuma Área Um (15%), ONGC Videsh Rovuma (10%), Beas Rovuma Energy Mozambique (10%), BPRL Ventures Mozambique (10%) e PTTEP Mozambique Area 1 (8,5%).