MOÇAMBIQUE PASSA CONSUMIR GÁS DE COZINHA NACIONAL

O Presidente da República, Daniel Chapo, inaugurou esta quarta-feira, em Temane, distrito de Inhassoro, província de Inhambane, a Fábrica de Processamento Integrado de Hidrocarbonetos (IFP, na sigla em inglês), que passará a produzir, dentre vários, gás de petróleo liquefeito (GPL), também conhecido como gás de cozinha.

Preconizada no Contrato de Partilha de Produção (PSA), entre o Governo de Moçambique, a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) e a Sasol Petroleum Mozambique, a fábrica vai produzir anualmente 30 mil toneladas de GPL, para abastecer o mercado nacional; e 23 milhões de megajoules de gás natural para produção de energia, através da Central Térmica de Temane (CTT), em construção; e quatro mil barris de petróleo leve por dia.

O Chefe de Estado disse que esta fábrica figura entre as mais importantes infra-estruturas energéticas e industriais erguidas desde a independência. “Este empreendimento é mais do que uma obra física: é uma viragem estratégica, o símbolo de um país que deixou de observar os seus recursos a partir de fora e passou a transformá-los dentro de portas, com visão, ambição e sentido de soberania e independência nacional”, referiu Chapo.

Com este complexo integrado, Moçambique vai reduzir as importações do gás de cozinha em cerca de 75 por cento e ampliar a sua capacidade de fornecer gás, energia e derivados a economias vizinhas, a corredores de desenvolvimento regionais e a projectos industriais de grande escala.

Durante a sua construção, foram gerados 1685 empregos directos para nacionais e 120 serão criados nesta fase de operação, além de mais de 80 por centro de contratação local bens e serviços. Para Chapo, estes não são apenas números, “São oportunidades, formação, rendimento para as nossas famílias, para as mulheres e jovens, e são a esperança para o povo moçambicano”.

Entre os benefícios, Chapo arrolou ainda a construção de uma nova vila de reassentamento com 45 casas; a requalificação completa da Escola Primária Joaquim Marra, com 12 salas, bloco administrativo, campos desportivos e residência de professores.

Chapo expressou apreço especial à ENH, à Sasol e ao Instituto Nacional de Petróleo (INP) pelo profissionalismo, disciplina e sentido de missão demonstrados no contexto da construção da fábrica, assim como às populações de Inhassoro, Govuro, Vilankulo e Massinga pela persistência, paciência e espírito de colaboração que tornaram possível esta infra-estrutura.

Presente na ocasião, como convidado de honra, o Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, disse que a IPF é um símbolo da cooperação energética entre Moçambique e África do Sul, caracterizada de muitos anos de exploração, investimento e trabalho operacional para desenvolver os recursos de hidrocarbonetos em terra firme em Moçambique.

“Isso demonstra claramente como o desenvolvimento de recursos se pode traduzir em benefícios tangíveis para a população”, referiu Ramaphosa, apontando também como aspectos positivos as oportunidades de emprego, treinamento e capacitação para as comunidades vizinhas.

Ludovina Bernardo, Presidente do Conselho de Administração da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), entidade que, enquanto representante do Estado, vai tomar o petróleo leve e gás de cozinha à saída da fábrica para comercializá-lo, expressou satisfação com a entrada oficial em funcionamento deste empreendimento que vai consolidar a matriz energética nacional.

“Nós, como ENH, estamos bastante satisfeitos por termos trabalhado lado a lado com a Sasol para permitir que hoje este projecto se tornasse realidade. Os ganhos são bastante significativos. Esta fábrica, ao reduzir significativamente as importações do país, vai permitir a poupança de divisas”, indicou Bernardo, sublinhando igualmente que a IPF deve ser orgulho para todos os moçambicanos, pois o gás de cozinha é produzido no solo pátrio, para consumo nacional, robustecendo a soberania do país.