LANÇADO CASCO DO PROJECTO CORAL NORTE FLNG DA BACIA DO ROVUMA

Moçambique deu ontem, dia 16 de Janeiro, um passo decisivo na consolidação da indústria de gás natural com o lançamento, em Geoje, na Coreia do Sul, do casco da plataforma flutuante Coral Norte FLNG. O acto, que constitui um marco fundamental no desenvolvimento do segundo projecto de Gás Natural Liquefeito (GNL) em águas ultraprofundas da Bacia do Rovuma, foi dirigido pelo Ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, e contou com a participação do consórcio liderado pela Eni (ERB), onde a ENH é accionista com uma participação de 10%. A empresa foi representada pela Presidente do Conselho de Administração (PCA), Ludovina Bernardo, pelos administradores do Pelouro de Engenharia e Desenvolvimento de Projectos, Nelson Cossa, e do Pelouro Comercial e Novos Negócios, Acácio Langa, e pela Secretária Pessoal da PCA, Inês Aissa.

O lançamento do casco ocorre na sequência da aprovação, em Abril de 2025, do Plano de Desenvolvimento do Projecto Coral Norte FLNG e confirma a execução consistente do calendário de implementação e subsequente Decisão Final de Investimento (FID), em Novembro último, factores que confirmaram a execução do mesmo em termos de cabimento orçamental por parte dos parceiros e financiadores.

A unidade flutuante encontra-se agora na fase de integração dos módulos dos sistemas de produção e processamento de gás natural, representando a conclusão da infra-estrutura principal da plataforma.

Intervindo na cerimónia, o Ministro dos Recursos Minerais e Energia destacou a relevância estratégica do momento para a indústria de Petróleo e Gás, concretamente no que concerne à contribuição deste projecto para os mercados de LNG no mundo, visto que o gás natural é tido como o recurso energético para a transição e consequentemente a sua relevante contribuição para redução dos gases de efeito de estufa – GHG.

“O lançamento do casco representa um marco de grande relevo no ciclo da implementação do projecto Coral Norte FLNG, simbolizando a conclusão da construção da infra-estrutura principal da unidade flutuante e o início da fase de integração dos módulos dos sistemas de produção e processamento do Gás Natural”, afirmou Estêvão Pale, sublinhando ainda que o projecto reforça o posicionamento de Moçambique como fornecedor fiável de energia ao mercado internacional.

Por sua vez, a PCA da ENH enfatizou a importância do projecto na vertente de formação e aprimoramento das competências de quadros nacionais, reforçando ainda a importância da ENH como actor primordial no mercado de LNG ao nível internacional. Segundo Ludovina Bernardo, o projecto confirma desta forma a relevância de Moçambique no sector energético regional, como potencial fornecedor de matéria-prima necessária para a produção de energia,  fertilizantes bem como para a implantação de refinarias, através do condensado que será produzido tanto pelo Coral Norte FLNG como pelo empreendimento Coral Sul FLNG, em produção desde 2022.

Com uma capacidade de liquefacção de aproximadamente 3,6 milhões de toneladas de GNL por ano, o Coral Norte FLNG permitirá elevar a produção total (actual) da Bacia do Rovuma para cerca de 7 milhões de toneladas anuais, colocando Moçambique como o terceiro maior produtor de GNL em África e entre os principais actores globais do sector. O projecto representa um investimento estimado em cerca de 7,3 mil milhões de dólares norte-americanos e prevê a entrada em produção em 2028.

Durante as fases de instalação e operação, o projecto prevê a geração de mais de 1.400 empregos directos e indirectos para moçambicanos, associada a programas de formação, transferência de conhecimento e envolvimento activo de quadros nacionais. Em termos de conteúdo local, está prevista a alocação de cerca de 800 milhões de dólares norte-americanos nos primeiros seis anos, promovendo a participação de empresas nacionais ao longo da cadeia de valor.

O Projecto contribuirá ainda para o reforço das receitas fiscais e outros ganhos do Estado, apoiando o financiamento de sectores sociais prioritários e a estabilidade da balança de pagamentos. No domínio energético, o projecto disponibilizará até 25% do gás produzido para o mercado doméstico, impulsionando a industrialização do país, sendo que 100% do condensado a ser produzido pelo projecto será alocado e monetizado pela ENH, reforçando o papel estratégico da concessionária nacional na valorização dos recursos.

Em outro momento a PCA da ENH, Ludovina Bernardo, destacou o significado do avanço alcançado para o país e para a empresa. “Este momento traduz a maturidade técnica e institucional de Moçambique e reafirma o papel estratégico da ENH na maximização do valor dos recursos nacionais, assegurando benefícios económicos, desenvolvimento do conteúdo local e maior participação de moçambicanos ao longo da cadeia de valor do gás”, afirmou a PCA.

O Projecto Coral Norte FLNG segue-se ao Projecto Coral Sul, que iniciou a sua produção em 2022, tendo uma média de 46 carregamentos anuais GNL e 6 de condensado. Para o Projecto Coral Norte FLNG está prevista uma média anual de 7 carregamentos de condensado e 50 de GNL, sendo que 9 carregamentos de GNL serão alocados a ENH numa fase inicial.