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Governo e investidores dão luz verde ao projecto Coral Sul

Governo e investidores dão luz verde ao projecto Coral Sul

Maputo, 7 de Junho de 2017 - O Governo de Moçambique e as concessionárias da Área 4 da Bacia do Rovuma, incluindo a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), lançaram, no passado dia 1 de Junho, o projecto Coral Sul que, prevê a produção de gás natural liquefeito através de uma plataforma flutuante no alto mar (FLNG).

A cerimónia de lançamento do projecto contou com a participação do Presidente da República, Filipe Nyusi, da Ministra dos Recursos Minerais e Energia, Letícia Klemens, e dos executivos das empresas concessionárias, designadamente Omar Mithá, da ENH; Claudio Descalzi, da Eni; Wang Yilin, da CNPC; Carlos Gomes da Silva, da Galp; e Seunghoon Lee, da Kogas.

Falando na ocasião, Nyusi disse que “acabamos de testemunhar o lançamento de um projecto estruturante da nossa economia que, certamente, vai ter um grande impacto nas nossas vidas. Moçambique entra indubitavelmente na rota do comércio do gás, marcando um precedente no desenvolvimento do País”.

Na ocasião, as concessionárias ratificaram o acordo da Decisão Final de Investimento (FID) do projecto e assinaram, com o Governo, o Acordo Directo relacionado com o Financiamento do Projecto e o Acordo Complementar do Coral Sul, que define o enquadramento legal do projecto.

Ainda na mesma cerimónia, foram assinados os contratos para a construção da plataforma de perfuração, umbilicais e sistemas de produção submarinos, bem como o contrato de engenharia, aprovisionamento, construção, instalação e comissionamento da unidade flutuante de Gás Natural Liquefeito (FLNG), com uma capacidade de cerca de 3.4 milhões de toneladas métricas por ano.

No seu discurso de lançamento do projecto, o estadista Moçambicano fez referência ao contexto do mercado internacional do petróleo e gás, que foi caracterizado pela acentuada queda dos preços, anotando que, face a essa situação, o Governo teve de tomar um conjunto de medidas que consistiram em renunciar vantagens económicas imediatas para garantir a viabilidade e sustentabilidade do negócio.

Entre essas medidas, destaca-se o recurso à monetização de parte dos recursos da Área 4 através de uma unidade flutuante no alto mar, a venda de quase toda a produção a um único cliente, neste caso a BP, para além de ter-se sacrificado, numa primeira fase, os benefícios financeiros e a disponibilização de gás para o mercado doméstico.

“A audácia nas decisões visou assegurar o futuro com firmeza, garantindo o equilíbrio entre o ideal, o possível e o imperativo”, disse ele, acrescentando que “foram vários anos de negociações, com diferenças ultrapassadas, num equilíbrio dos interesses das diversas partes, por cedência de posições por vezes difíceis”.

“Esta foi a solução possível que foi encontrada. Ao operador, a ENI, e aos parceiros do consórcio, CNPC, Galp, Kogas, e a ENH, vai o nosso voto de confiança. Auguramos que o período de construção que decorrerá nos próximos cinco anos prossiga dentro dos prazos e orçamento estimados, em benefício do povo moçambicano. Reafirmamos que o governo continua empenhado no apoio do projecto, nas diversas fases que se seguem, incluindo nos desenvolvimentos futuros na expansão em terra”, sublinhou.

 

PROJECTO SEM PRECEDENTE NA REGIÃO – OMAR MITHÁ

Falando na mesma ocasião, o Presidente do Conselho de Administração (PCA) da ENH, Omar Mithá, considerou o acto como um marco indelével na história económica recente de Moçambique.

“Este Projecto, pela sua dimensão e natureza, não tem precedente em Moçambique e na África Sub-Sahariana, sendo o terceiro no Mundo do género”, disse o PCA da ENH, anotando que este acto traduz a capacidade do Governo e dos parceiros na estruturação de projectos complexos, particularmente numa fase em que o mercado evidenciou sinais de amortecimento da procura em 2016, com a consequente quebra de preços.

Segundo Omar Mithá, é nesta perspectiva de médio e longo prazos que este projecto prefigura um novo pólo de desenvolvimento económico em Palma, na província de Cabo Delgado, por via das suas ligações com outros sectores da economia, consubstanciando o desiderato da industrialização e desenvolvimento económico.

“E com os ganhos a obter, vislumbra-se a prazo uma mudança estrutural em termos de equilíbrio interno e equilíbrio externo, nomeadamente pelo crescimento do PIB e do emprego e pela convergência entre a poupança e o investimento, quer na óptica pública, quer na óptica privada, o que se irá reflectir no equilíbrio da balança das transacções correntes e, por arrastamento, uma classificação de risco manifestamente superior para o país”, disse ele.

De referir que o campo Coral que será objecto de produção foi descoberto em Maio de 2012 e situa-se inteiramente dentro da Área 4, com cerca de 450 biliões de metros cúbicos, o equivalente a 16 trilhões de pés cúbicos (TCFs), de gás no local.

O bloco da Área 4 é operado pela Eni East Africa, com uma participação de 70 por cento e, além da ENH, que detém uma participação de 10 por cento, é também participado pelas companhias portuguesa Galp Energia e coreana Kogas, cada uma com 10 por cento. A companhia chinesa CNPC está no projecto através da sua participação indirecta na Eni East Africa, onde também está em curso o processo defarm inda americana ExxonMobil.

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